Comecemos com uma antiga metáfora: se o pensamento é um fio de linha, o narrador é um fiandeiro – mas o verdadeiro contador de histórias, o poeta, é um tecelão. Essa velha abstração, própria das narrativas faladas, foi transformada em um fato novo e visível pelos escribas. Após longa prática, seu trabalho ganhou uma textura tão homogênea e flexível que a página escrita passou a ser chamada de textus (tecido, em latim).[1]

Perceber a página como tecido permite um olhar mais apurado sobre os diversos aspectos visuais de uma publicação. A trama dos fios, a costura, os alinhamentos, os traços, a harmonia…

Aproveite a experiência imediata: observe este texto e os elementos ao redor como uma peça única, um tecido com – sem trocadilho – textura. Sua visão é confortável enquanto desliza pela extensão da página? Há ranhuras? Desfiamentos? Relevos? Pontas soltas?

Páginas bem tecidas proporcionam maior aproveitamento de leitura e bem estar aos leitores. São alcançadas quando se produz, com a diagramação, uma trama suave, de percepção confortável e sensual aos olhos.

Teares da produção editorial

Existem diversos aplicativos de edição e diagramação. Eles se diferem pelo instrumental de recursos que oferecem e pela intensidade de intervenção/precisão que possibilitam a quem os opera. Por serem diferentes entre si, inclusive por suas naturezas de propósito, é interessante tirar o melhor proveito de cada um deles sabendo quando e como utilizá-los.

Citamos dois softwares utilizados em larga escala na produção editorial: o Word e o InDesign. Vamos falar um pouco a respeito deles.

Trabalhando no Word

O Word é um conceituado processador de texto incluído no pacote de programas Office da Microsoft. Popularizou-se globalmente por ser um dos precursores e mais completo software de edição textual com formatação (aplicação de estilos de caractere e parágrafo). Apesar de oferecer recursos para a finalização de peças para impressão, é especialmente destinado ao suporte da produção e edição de conteúdo. É excelente para os processos de escrita, preparação e revisão de texto, por exemplo.

Posso diagramar um livro no Word?

Poder, pode, porque é possível. Provavelmente nas décadas de 80 e 90 o Word tenha sido um dos principais aplicativos utilizados tanto para editar quanto para finalizar peças gráficas. Porém o surgimento de programas propostos ao design gráfico com grandes blocos textuais, como o PageMaker (antecessor do InDesign), serviu para assinalar com nitidez os limites do Word no que diz respeito a oferta de recursos de alta precisão e automações intuitivas.

 Alguns segmentos de publicação podem e são facilmente produzidos e finalizados no Word. Contudo obras que almejem um projeto gráfico de alto padrão são mais agilmente construídas e bem concebidas quando produzidas com um programa dedicado ao design gráfico.

Quando utilizar o InDesign

O InDesign é uma das aplicações mais robustas do universo editorial. Além de trazer consigo as funcionalidades de edição apresentadas pelo Word, dispõe de uma gama de recursos de design extremamente precisos. Sua utilização se dá, entre outras, na construção de projetos gráficos, na diagramação, nos ajustes apontados pelas revisões de prova, na configuração e no fechamento de arquivos para impressão… Possibilita a execução de poderosos processos de edição, com precisão cirúrgica na execução das preferências do usuário.

Predefinindo a trama visual

A criação e a automatização de estilos predefinidos no InDesign são possibilidades que trazem enormes benefícios para o fluxo da diagramação. Trabalhando a estética de um texto, pode-se lançar mão de uma diversidade de estilos facilmente aplicáveis sobre diferentes tipos de parágrafos e diferentes tipos de caracteres.

Um estilo carrega um conjunto variável de configurações como fontes, peso, cor, espaçamento entre letras, entre palavras, entre linhas, margens, espaço entre parágrafos, justificação, alinhamento, hifenização… e tantas outras possibilidades de formatação e controle sobre os elementos da página.

Sugerimos a diagramadores e aspirantes à função que, ao iniciarem o trabalho sobre um original, o façam a partir da adoção de um projeto gráfico, instrumento que determina e orienta a estilização de uma publicação. Assim, cada processo do trabalho se dará de forma orientada, assertiva, com clareza e agilidade para o alcance da estética prevista.

O fluxo Word-InDesign

Um arquivo em Word bem preparado é um dos pilares que sustentam o bom processo de edição. Essa preparação consiste na realização de diversos pré-requisitos antes que o texto proceda à diagramação.

É prudente que editores e profissionais do livro tenham uma política clara de como e quando considerar que um arquivo .docx atingiu sua versão final. O conteúdo definitivamente bem organizado, formatado e revisado atribui fluidez ao trabalho, evitando que se precise fazer e refazer durante a diagramação aquilo que deveria ter sido preparado previamente no Word.

Há diversas formas de se migrar o conteúdo do Word para o InDesign. Com conhecimentos intermediários e avançados para a utilização desses programas, o diagramador pode configurar um procedimento que acolha o que vem do Word enquanto ajusta automaticamente a estilização de cada elemento em um fluxo perfeito.

O fluxo Word-InDesign acelera exponencialmente a edição de uma obra. Agiliza processos massivos de formatação sob parâmetros bem definidos, liberando a atenção do diagramador para ajustes finos e conferências de padrão. Também elimina – ou alivia – a aspereza de conteúdos e acontecimentos desafiadores ao exercício da diagramação.

Deseja conhecer, dominar e implementar o fluxo Word-InDesign no seu processo editorial? Converse comigo por aqui.

Rodrigo Fagundes, PUB Editorial.



[1] BRINGHURST, Robert. Elementos do estilo tipográfico (versão 3.0). São Paulo-SP: Ed. COSACNAIFY, 2005.

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2 Comentários

Marielle · 3 de agosto de 2020 at 17:44

Gostei do texto, achei bem explicado. Parabéns e obrigada, me ajudou muito.

    PUB Editorial · 3 de agosto de 2020 at 18:50

    Que ótimo que o conteúdo foi bom e útil para ti, Marielle! Que os próximos também sejam! Abraço!

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